voce está certo messere Raimundo Porto

voce está correto messere Raimundo Porto.  quase sempre é muito dificil que haja apreciação do roteiro porque bom roteiro é ruim de ler.
Dario Fo comenta algo semelhante de que uma peça de teatro escrita é ruim de ler…
talvez pela razão oposta: roteiro exige uma imaginação especifica exata e ‘fechada’
através da descrição e texto de teatro exige uma imaginação ‘aberta’.
supostamente roteiro é um texto para ‘se fazer’ algo com ele, é um texto confuso
para ser apreciado como um romance ou um poema porque é direcionado a pessoas diferentes ao mesmo tempo que dele tiram dados diferentes em trabalhos diferentes.
sou capaz de admirar algumas soluções na tela que foram soluções de escrita;
assim como percebo rapidamente quando um filme não funciona
porque não resolveram o problema narrativo na fase de roteiro.
mas muitos problemas nascem de uma incompleta concepção
de timing e público o que provoca um desacerto estratégico
e então finalmente ajustes de produção determinados pela venda do filme
e não pela qualidade do produto.

no brasil o que (ainda) prevalece é a idéia de que o roteiro é pretexto para o filme,
uma obrigação burocrática para por ‘a mão na grana’.
voce menciona ‘central do brasil’: no lançamento do filme no Brasil,
num evento no auditório do Globo com o excelente diretor Walter Moreira Salles,
se apresentou um rapaz como sendo ‘o’ roteirista do filme, que se adiantou e afirmou que:
“fernanda é maravilhosa e improvisava as cenas o tempo todo, a ponto do menino
– que decorava tudo (entendeu que podia ser uma oportunidade para sua família
e amadureceu instantaneamente) ficar o tempo todo irritante dizendo ‘a fernanda errou’…
deu para ver que Walter não gostou da reação da platéia e o assunto nunca mais apareceu na mídia.  num segundo evento, Puc apareceu outro roteirista, dizendo que havia dividido
o roteiro com o primeiro e que na verdade
“fiquei fazendo terapia de diretor e mudando o roteiro durante a noite para o dia seguinte.”
assim que, este filme não é o melhor exemplo de engenharia de roteiro como me ensinaram e com fui treinado.
‘central do brasil’ nasceu como resultado da mudança de direção do Walter Salles.
o filme dele anterior foi carimbado ‘cult movie’ pelo diretor do festival de Cannes
(vários anos Walter foi lá, com baixo nível de sucesso) ele ficou sorrindo
na foto do dia seguinte, até que entendeu que ‘cult movies’ é um carimbo limitador
no mercado: menos de 4% das salas de cinema exibem e compram filmes assim marcados.  Walter virou-se para o Sundance, onde foi recebido como o rapaz rico que é,
e o conectaram a um fundo de desenvolvimento de roteiro da maior tv japonesa a NHK.
A cultura japonesa não é muito interessada em quase nada que vem de fora
que não tenha um forte caráter humano, de relacionamento.
Videoletter é o que o japones acha o máximo.
Assim que a proposta de um filme baseado em cartas tem um forte atrativo no Japão.
Não sei números exatos, mas ‘nunca te vi sempre te amei’ dos correspondentes
deve ter tido uma venda extraordinária por lá.  Walter recebeu uma pequena quantia
para ‘desenvolver’ o roteiro, insuficiente para a produção do filme, que ele compensou
com capital próprio, suponho.
Como havia sido através do Sundance que alcançou a tv NHK, no ano seguinte
foi muito bem recebido no festival, mas não tenho certeza de que foi premiado.
Ter sido inscrito como o filme brasileiro para o Oscar é realmente uma proeza fenomenal,
e havia decidido torçer por ele, mas no segundo que li que estaria competindo
com ‘A Vida é Bela’ do Benigni instantaneamente soube que não havia chance.
Na noite do Oscar foi um pouco triste ver Walter e Fernanda ali meio sem sorrir
pelo Benigni, sem compreender o que o filme dele representa, nem felizes de estarem ali.
E claro, quando soube quem (Sofia Loren) iria abrir o envelope do resultado do oscar de filme estrangeiro a certeza se solidificou totalmente.

Passei muitos anos falando que sem um bom roteiro, estão todos ‘procurando o filme’ enquanto filmam e o fotografo fica atrapalhando porque não quer ser responsabilizado
pelo fracasso do filme já que filmou ‘o que todos concordavam’…
a situação tende a piorar porque com o cinema digital, não importa quantos takes
se façam…  entretanto há uma contracorrente forte em expansão:
o rapaz que fez ‘tropa de elite’ realmente tem um bom roteiro
– ou pelo menos não tem os problemas de não ter roteiro.

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